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Como fazer as pazes depois de uma briga: o caminho de volta

Atualizado:

Se vocês querem saber como fazer as pazes depois de uma briga, comecem pelo momento seguinte. Esperem até os dois respirarem com calma, digam uma frase que seja verdadeira e só então conversem sobre o que aconteceu. Quem tinha razão e quando muitas vezes se resolve sozinho ou deixa de importar.

Este texto trata do depois. Como evitar uma briga ou conduzi-la melhor está no nosso guia brigas no relacionamento. Aqui o assunto é a pergunta que vocês se fazem quando a porta bateu ou o silêncio sentou à mesa da cozinha: como voltamos a ficar juntos?

Primeiro, se acalmar

Bem no meio da briga, quase nada se resolve. O corpo está sob tensão, as frases ficam mais curtas e duras, e cada resposta soa como ataque. Isso é normal e não tem nada a ver com caráter.

Uma pausa ajuda quando é combinada com clareza. A diferença entre pausa e sumir está numa frase: "Preciso de vinte minutos, depois a gente continua." Quem simplesmente vai embora deixa o outro sozinho com a pergunta se acabou. Quem diz um horário dá segurança.

O que ajuda na pausa é diferente para cada um:

  • uma volta no quarteirão, sem celular
  • beber água, abrir a janela, trocar de cômodo
  • escrever o que vocês queriam dizer de fato
  • respirar de propósito mais devagar

O que não ajuda: ensaiar as frases com que vocês vão ganhar ao voltar. Quem junta munição na pausa volta com munição.

Quem dá o primeiro passo?

Muitas vezes cada um espera que o outro comece. Só que o primeiro passo não é derrota. Ele só mostra que o relacionamento importa mais do que o ponto no placar.

O primeiro passo pode ser minúsculo. Colocar um copo d'água. Perguntar se o outro já comeu. Uma mensagem curta: "Ainda estou pensando no que houve. Quer conversar quando você estiver pronto(a)?" Isso não é um pedido de desculpas e não precisa ser. É uma janela aberta.

Se vocês percebem que é sempre a mesma pessoa que precisa começar, falem disso depois. É uma daquelas coisas que se diz num momento calmo, e não no meio da irritação.

Um pedido de desculpas que chega

Muitos pedidos de desculpas falham por causa de uma palavrinha. "Desculpa que você tenha sentido isso assim" soa como se o erro estivesse na percepção do outro. Funciona melhor o que parece responsabilidade:

  • Digam o que fizeram: "Eu te interrompi na frente dos seus amigos e te desvalorizei."
  • Digam o que isso provavelmente causou no outro: "Com certeza te deixou constrangido(a)."
  • Digam o que querem fazer diferente, se de fato pretendem.

Sem "mas" depois. Se atrás do pedido de desculpas vem um "mas você também", o outro só escuta o segundo. Os seus motivos podem vir depois, numa frase própria e não como anexo.

E sejam honestos: se não lamentam algo, não digam. Talvez vocês lamentem que a noite tenha estragado, ou que o outro tenha ficado triste. Isso é verdade, e pode ser dito.

As pessoas aceitam pedidos de desculpas de formas muito diferentes. Uns precisam de palavras, outros de um gesto, outros ainda de uma noite de distância. Vale esclarecer isso uma vez, de preferência num momento sem briga. Uma pergunta que serve: "Como você prefere pedir desculpas, e como prefere receber um pedido?"

A conversa depois

Quando o clima ficou mais macio, vale uma segunda conversa, tranquila. Ela tem outro objetivo que a briga. Vocês querem entender o que aconteceu e não precisam eleger um vencedor.

Algumas regras que sustentam a conversa:

  • Cada um conta o seu ponto de vista, o outro escuta sem interromper. Depois vocês resumem brevemente o que ouviram, antes de responder.
  • Falem de si: "Eu me senti magoado(a) quando..." em vez de "Você é sempre assim...".
  • Procurem o gatilho de verdade. A briga pela lava-louças talvez fosse sobre reconhecimento ou sobre um dia em que alguém estava esgotado.
  • Fiquem num tema só. Quem puxa velhos pontos de briga transforma uma conversa em interrogatório.
  • Terminem com algo concreto, pequeno o bastante para ser cumprido.

Perguntem-se também onde vocês mesmos contribuíram para a escalada. Isso é mais fácil quando o outro faz primeiro. Por isso vale começar pela própria parte.

Como perceber que realmente passou

Alguns casais conversam a briga até a morte e mesmo assim não se sentem reconciliados. Outros nunca dizem uma palavra e logo estão perto de novo. As duas coisas existem.

Ajuda conhecer o próprio critério. Em que você percebe que uma briga entre nós realmente passou, mesmo que ninguém diga "desculpa"? Para uns é uma risada em comum, para outros um abraço, para outros ainda o primeiro jantar normal. Se vocês sabem isso um do outro, não precisam mais adivinhar se a paz já vale.

Reparar sem grande teatro

Flores e presentes são bonitos, mas não substituem a conversa. Gestos pequenos e adequados costumam funcionar melhor do que os grandes:

  • fazer o café como o outro gosta
  • assumir a tarefa por causa da qual vocês brigaram
  • escutar sem olhar o celular
  • sugerir uma caminhada, sem programa
  • perguntar ao outro o que lhe faria bem agora

O mais importante é o gesto combinar com o outro, e não com o que vocês mesmos gostariam de receber.

Quando se repete sem parar

Duas pessoas brigam, faz parte. Fica mais difícil quando a mesma briga sempre volta, quando um de vocês se fecha com frequência ou quando insultos e desprezo viram hábito. Então a briga é, em geral, só o sintoma de algo mais fundo: uma necessidade que nunca é ouvida, ou um medo de que vocês não falam.

Aqui a terapia de casal pode ajudar. Isso não quer dizer que a situação esteja ruim. Um técnico também não ajuda um time só na luta contra o rebaixamento. Mais sobre as perguntas maiores está em como salvar um relacionamento.

Se numa briga alguém precisa ter medo, ser agredido, ameaçado ou intimidado, isso não é caso para guia. Aí o que vale é proteção. Em perigo imediato, ligue para o 190 (polícia). No Brasil, a Central de Atendimento à Mulher, o Ligue 180, atende de graça e a qualquer hora.

Prevenir, para haver menos a pacificar

Nenhum relacionamento fica sem briga, e nem precisa. Mas há coisas que deixam mais macio o chão em que vocês brigam:

  • Falem de miudezas antes de crescerem. Uma frase irritada na terça é mais fácil do que uma explosão no sábado.
  • Tenham pronto, depois de desentendimentos, um hábito fixo, como um chá juntos ou uma caminhada.
  • Saibam um do outro como o outro funciona: quem precisa de distância, quem de proximidade? Quem fica alto, quem fica quieto?
  • Digam mais vezes o que vai bem. Quem só fala quando algo dá errado associa as conversas à irritação.

Mais sobre conversar no dia a dia está em comunicação no relacionamento.

Onde o Nós2 entra

Parte do que falta depois de uma briga é uma entrada leve na conversa. O Nós2 manda uma pergunta por dia, que os dois respondem separados. Vocês só veem a resposta do outro depois de responder. Isso tira a pressão da conversa, porque ninguém precisa reagir antes de ter dito algo. Perguntas como "O que eu faço numa briga que, na verdade, te ajuda, mesmo que na hora não pareça?" trazem à tona coisas que ninguém diria na irritação.

Se quiserem experimentar: na página inicial vocês testam o Nós2 por três dias, de graça, sem dados de pagamento.

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