Assuntos para casais conversarem: ideias por situação
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Em algum momento quase todo casal está à mesa, olhando para o prato, e percebe: o dia já foi contado, o trabalho já foi falado, e agora? Bons assuntos para casais conversarem não precisam de uma grande ocasião. Precisam de uma pergunta que aceite mais do que um "bem" como resposta, e de alguém que pergunte de novo depois.
Abaixo estão assuntos organizados por situação. Peguem o que serve e deixem o resto.
Por que os assuntos acabam
É normal, e diz pouco sobre o relacionamento de vocês. Quem passa todo dia junto conhece as novidades do outro antes de serem contadas. Sobra a organização: quem pega a encomenda, o que a gente cozinha, você pagou a conta?
A conversa não para porque vocês não têm mais nada a dizer. Ela escorrega para a logística. E logística é um assunto que se esgota em três frases.
A solução raramente é só um assunto melhor. O que costuma ajudar é outro jeito de perguntar: por histórias em vez de fatos, por sentimentos em vez de acontecimentos, pelo antes e pelo depois, e também pelo hoje.
Assuntos para a mesa do jantar ou do restaurante
À mesa vocês têm tempo e nenhuma distração, se o celular ficar no bolso. Aqui funcionam assuntos que deixam um pouco de espaço.
- Qual foi a melhor refeição da sua vida, e com quem você comeu?
- Que prato te leva na hora de volta à casa onde você cresceu?
- Se amanhã a gente tivesse de morar uma semana num país que não conhece, qual seria?
- Que viagem mais mudou você, mesmo sem ter sido nada espetacular?
- Qual foi o seu primeiro emprego, e o que você aprendeu ali sobre as pessoas?
- Que mania sua quase ninguém mais conhece?
- Que restaurante que já fechou você ainda sente falta?
- Onde você moraria se dinheiro e trabalho não importassem?
- Que momento do nosso tempo juntos ficou na sua cabeça, mesmo sendo pequeno?
- Qual é a sua lembrança preferida de um verão?
Um truque para o jantar: comecem com uma pergunta leve e deixem as mais pesadas chegarem na sobremesa. Quem fala do futuro do relacionamento já na entrada costuma ouvir só respostas cautelosas.
Assuntos para uma caminhada
Caminhando, vocês ficam lado a lado em vez de frente a frente. Isso tira pressão. Muita gente conta mais andando, porque não precisa se olhar o tempo todo. Aproveitem para assuntos que pedem um pouco mais de coragem.
- No que você tem pensado ultimamente mais do que admite?
- O que você queria ser quando criança, e o que sobrou disso?
- Que decisão dos últimos anos você tomaria diferente hoje?
- Se você tivesse um ano livre, o que faria com ele?
- Quem marcou você sem saber que estava marcando?
- Qual lugar onde a gente esteve você imaginaria como casa?
- O que está te preocupando agora que eu ainda não sei?
- Que hábito nosso, de nós dois, você nunca largaria?
- O que você gostaria de experimentar comigo e nunca fizemos?
- Como você imagina o nosso dia a dia daqui a cinco anos?
O ritmo da caminhada também ajuda nas pausas. Se depois de uma resposta vem um silêncio, ele não chama atenção. A gente olha para o caminho, e muitas vezes vem justamente a frase que importava.
Assuntos para noites longas
Sofá, chá ou um café, nada na agenda. É o momento dos assuntos que valem a pena quando não se quer encerrá-los em dez minutos.
- Que versão sua foi a mais feliz, e o que era diferente naquela época?
- Que história de família sempre se conta na casa onde você cresceu?
- O que você diria ao você de 16 anos, e ele te escutaria?
- Que livro, filme ou série te mudou?
- Qual foi um momento em que você teve orgulho de si e não contou a ninguém?
- O que significa "casa" para você, e quanto disso você tem comigo?
- O que a gente conseguiu juntos nos últimos anos e não comemora?
- O que você quer poder dizer em dez anos sobre o tempo que estamos vivendo agora?
- Que coisas na sua vida funcionam sozinhas, e pelo que você se esforça o tempo todo?
- Que parte de você fica de lado no dia a dia?
Quem quer mais nessa direção encontra nos nossos guias de perguntas profundas para casais e de perguntas para conversas profundas matéria para um ano inteiro.
Assuntos leves, para quando o dia foi puxado
Nem toda noite aguenta profundidade. Depois de um dia ruim ajudam assuntos que não exigem nada de ninguém.
- Se a gente tivesse uma banda, que nome ela teria e o que tocaríamos?
- Que jingle ou música grudenta da sua infância nunca saiu da sua cabeça?
- Que superpoder inútil você gostaria de ter?
- O que você levaria para uma ilha deserta se só pudessem ser três coisas, mas nenhuma delas o celular?
- Que bicho você seria numa festa?
- Qual é a coisa mais absurda que você já comeu?
- Que invenção faz falta aqui em casa?
- Quem do nosso grupo de amigos desistiria primeiro num apocalipse zumbi, e quem nos surpreenderia?
- Se você pudesse criar um feriado novo, o que se comemoraria e como?
- Qual foi o look mais vergonhoso da sua adolescência, e existem fotos como prova?
Diversão não é quebra-galho. Quem ri junto também tem vontade de ficar mais sério depois. Mais disso vocês acham nas perguntas engraçadas para casais.
Assuntos que vocês poderiam resolver sozinhos, mas conversam melhor juntos
Algumas perguntas são na verdade de planejamento, e mesmo assim vale conduzi-las como conversa, e não como reunião.
- Como queremos passar os nossos fins de semana, se formos sinceros?
- Quanto tempo com amigos, quanto com a gente, quanto só para você?
- O que você deseja de nós dois quando o assunto é dinheiro?
- Quem faz qual tarefa em casa, e isso parece justo?
- Para onde queremos viajar juntos este ano?
Dinheiro e tarefas de casa dependem logo de tom e de hora. Se vocês percebem que a conversa vira briga, leiam brigas no relacionamento. Uma conversa que desanda pode ser adiada.
Como manter uma conversa viva
Os assuntos são só o começo. O que sustenta uma conversa é o que acontece depois da primeira resposta.
Perguntem pela história. A "Qual foi o seu primeiro emprego?" segue-se "garçom numa lanchonete". Isso é um fato. Fica interessante com: "Como foi o seu primeiro dia lá?" Perguntas que começam com "Como foi" ou "Me conta de" abrem mais do que as que começam com "Foi" ou "Você já".
Perguntem pelo sentimento. Se alguém conta de uma mudança de cidade, não pergunte "Quando foi isso?", e sim "Como foi aquilo para você?". É a pergunta que as pessoas raramente ouvem.
Respondam também. Conversa não é interrogatório. Quando vocês fazem uma pergunta, respondam a ela. Muitas vezes a ligação nasce aí: os dois viveram algo parecido, ou algo bem diferente, e as duas coisas são interessantes.
Aguentem o silêncio. Depois de uma pergunta pessoal, às vezes a pessoa precisa de dez segundos para pensar. Quem pula logo para dentro tira do outro a resposta.
Nada de conselho que ninguém pediu. Quando seu par conta de um dia ruim, muitas vezes quer ser ouvido, e não resolvido. Pergunte antes: "Você quer que eu só escute, ou está procurando uma ideia?" Mais sobre isso está no guia de comunicação no relacionamento.
O celular fica longe. Parece banal, mas um celular sobre a mesa, só piscando baixinho, já puxa a atenção. Deixem-no num outro canto da sala.
Quando soa estranho ou forçado
No começo, perguntar às vezes parece artificial. "A gente conversava normalmente antes." É verdade. Só que antes tudo era novo, e havia bastante coisa que vocês ainda não sabiam um do outro.
Depois de anos juntos, é preciso ligar a curiosidade de propósito. Isso não é sinal de que algo falta. É como numa horta: ela não cresce mal só porque precisa ser regada.
Um caminho prático: marquem um momento fixo. Terça à noite, café da manhã de domingo, a meia hora antes de dormir. Uma moldura fixa tira da pergunta o constrangimento, porque ela passa a fazer parte, como o café.
Um assunto por dia, sem planejar
Se vocês não querem pensar toda vez no que perguntar, uma fonte pode fazer isso por vocês. No Nós2 vocês recebem uma pergunta por dia para os dois. Respondem separados, e a resposta do outro fica escondida até vocês terem escrito a sua. Depois conversam sobre ela, logo embaixo, como num chat. Assim vocês não começam do zero no jantar: os dois já pensaram na mesma pergunta.
Dá para fazer também sem aplicativo: um pote com papeizinhos, um caderno, uma lista no celular. O importante é só que a pergunta já exista antes de a noite começar.
O que é melhor evitar
Há assuntos que raramente acabam bem quando se puxa de passagem.
- Crítica ao outro disfarçada de pergunta ("Por que você sempre faz desse jeito?").
- Comparação com outros casais.
- Velhos temas de briga, quando vocês estão cansados ou com fome.
- Coisas de que vocês já falaram três vezes sem nada mudar. Essas merecem uma conversa própria, com tempo e com plano.
E quando um assunto toca medo, mágoa ou desconfiança que vocês não conseguem resolver sozinhos, procurar terapia de casal não é fracasso. Uma terapeuta ou um terapeuta enxerga de fora o que a dois parece emperrado.
Uma lista para o bolso
Se vocês não lembram de nada, três perguntas coringa sempre funcionam:
- O que foi o melhor e o mais cansativo de hoje?
- Pelo que você está animado(a) esta semana?
- O que está na sua cabeça e você ainda não disse?
Com a resposta a uma delas, vocês costumam ir uns vinte minutos longe. E, se não, ajuda dar uma olhada nas perguntas para casais, organizadas por tema.
Se vocês querem transformar isso num hábito, deem uma olhada no Nós2: uma pergunta por dia, três dias grátis, sem dados de pagamento. Seu par entra por um link, também pelo navegador.